Florestas exóticas cultivadas, Florestas naturais, Hortas e campos regadio, Matagais, Montados, Pomares e olivais, Zonas perturbadas, baldios ou ruderais, Zonas ribeirinhas ou ripÃcolas, Zonas rupÃcolas, Zonas urbanas
Sinonímias: Lithyphantes nobilis, Steatoda clarkii, Teutana nobilis
Comprimento (mm): Fêmea: 9 a 14 | Macho: 7 a 11
Descrição geral: Carapaça, no macho, vermelha ou vermelha-acastanhada, normalmente muito escura quase negra (por vezes castanha) com estrias radiais mais escuras, rugosa e com pêlos dispersos maiores e mais densos na zona cefálica. Na parte posterior tem dois rebordos com órgãos estridulatórios. Na fêmea é muito semelhante mas com a zona cefálica mais estreita e sem os rebordos dos órgãos estridulatórios. 8 olhos quase iguais com a linha posterior direita e a anterior recurva. Quelíceras robustas e muito escuras (castanhas, vermelhas ou quase negras). Abdómen com um folium dorsal algo variável mas característico: negro, castanho-avermelhado ou púrpura sobre um fundo branco, amarelado, creme ou ligeiramente rosado. O folium pode ocupar toda a face dorsal do abdómen ou apresentar uma área central aberta (neste caso, é frequentemente interrompido por linhas transversais) onde podem existir duas bandas longitudinais escuras. O rebordo anterior do abdómen é sempre claro (branco, ou creme) formando um anel bem visível mais ou menos extenso. Ventralmente é mais claro e com manchas variáveis. Anteriormente, na face ventral, os machos possuem uma área rígida que se estende desde o sulco epigástrico até cobrir parte do pedicelo. O rebordo desta placa saliente tem, em cada um dos lados, 10 a 12 pequenos dentes rombos, cada um com um pêlo rijo. Esta estrutura, em conjunto com os rebordos da carapaça constitui os órgãos estridulatórios. Esterno cordiforme, vermelho-acastanhado escuro prolongando-se entre as coxas IV. No macho está coberto com pêlos fortes (excepto uma zona anterior mediana) que nascem de bases modificadas, alongadas e bem pronunciadas. Fieiras curtas. Patas castanhas-amareladas pálidas a vermelho escuro quase negro (principalmente nos machos), com um ligeiro escurecimento nas tíbias. Mais robustas e curtas nas fêmeas. Imediatamente após a muda, as patas ficam quase transparentes, escurecendo lentamente com o tempo passando frequentemente por tons esverdeados ou mesmo verde pálido azulado que ao fim de cerca de um dia desaparecem para dar lugar às tonalidades castanhas e avermelhadas típicas. Pedipalpos com a mesma variação de cor das patas e da carapaça.
Biologia: Fêmeas todo o ano; machos adultos na Primavera e Verão. Embora pronta a caçar de dia, esta espécie é muito mais activa de noite, deslocando-se e arranjando a teia sempre durante a noite já avançada. A teia é de tamanho muito variável entre 10 cm a 50 cm de comprimento e a alturas do solo que vão desde meio metro até mais de 3 metros. Com um ninho escondido numa fenda ou cavidade que comunica através de um tubo de seda muito rija com uma outra estrutura em forma de lençol. Esta estrutura é a zona de caça propriamente dita, é de seda mais suave, com malha irregular e puxada para baixo por alguns fios fortes que a prendem ao substrato. Por cima, existe uma zona irregular de tamanho muito variável com fios fortes que sustenta toda a teia e serve como interceptor para insectos voadores. Além das funções de caça, estas zonas irregulares funcionam também como alarme, e sempre que são danificadas, a aranha esconde-se imediatamente no ninho. No inverno, ou quando fazem as posturas, as fêmeas podem apresentar teias sem a zona de captura. Também é frequente as teias estarem ligadas a outras de Pholcus, Holocnemus, Zygiella, Parazygiella e Stroemiellus.
Para o acasalamento, o macho desloca-se e procura a fêmea. Quando chega a uma teia, inicia um ritual que inclui toques e puxões com as patas, batidas com o abdómen. Acasalam várias vezes ao longo de horas e o macho pode coabitar com a fêmea no ninho durante esse período. É frequente a fêmea tentar comer o macho.
A principal defesa desta espécie é a fuga, escondendo-se rapidamente no abrigo ou numa fenda que encontre. Outras defesas conhecidas são a segregação de seda muito forte e pegajosa e a catalepsia, fingindo-se de morta mesmo quando tocada. Só se for apertada tenta picar. Em Portugal, apesar de ser uma das aranhas mais comuns e com maior contacto com o Homem, não se conhece nenhum caso confirmado da picada desta aranha. O efeito conhecido do veneno desta espécie é uma forte dor localizada.
Tem uma grande resistência à falta de alimento e água podendo viver largos meses sem comer e mais de um ano sem beber água. Alimenta-se de quase todo o tipo de insectos mesmo os defendidos quimicamente. A captura das presas é feita invariavelmente da mesma forma com a aranha a envolver as presas em seda com as patas IV depois, corta o lençol e "embrulha" completamente a presa e procura um ponto onde injectar o veneno e afasta-se. Ao fim de algum tempo, volta e recolhe a presa para o ninho onde a come. Com alguma frequência, as teias desta espécie são pilhadas por outras aranhas dos géneros Pholcus e Holocnemus.
Identificação: O grande tamanho desta espécie (na família, apenas ultrapassado por Latrodectus), a cor e o padrão dorsal típico do abdómen, tornam-na praticamente inconfundível. As formas mais melânicas e menos avermelhadas podem ser confundidas com Steatoda grossa mas o padrão típico pode ver-se com observação mais pormenorizada. Os juvenis, podem igualmente ser confundidos com diversas espécies de Theridion. Uma identificação segura faz-se analisando as estruturas copulatórias.