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Lynx pardinus (Temminck , 1827)

ReinoAnimalia
FiloChordata
ClasseMammalia
OrdemCarnivora
FamíliaFelidae
GéneroLynx
Nome ComumLince-ibérico, lince, liberne, cerval, fantasma, lobo-cerval, gato-fantasma, gato-cerval, gato-cravo ou gato-lince
Coordenadores Científicos
Gonçalo Curveira Santos
Colaboradores
Raquel Mendes
Eduardo Ferreira
Tiago Mendes
Equipa técnica anterior
David Miguéis - Coordenador; Patrícia Rodrigues - Coordenador; André Silva - Colaborador; Henrique Couto - Colaborador; Raquel Mendes - Colaborador; Tamira Cruz - Colaborador; Rita Torres - Colaborador
© Santos Sequeira© Santos Sequeira© Santos Sequeira
© Santos SequeiraZoom
Informação adicional e observações sobre a espécie Lynx pardinus

Origem: Nativa
Endémica: Não
Invasora: Não
Protegida: Sim. Anexo I da CITES, anexo II da Convenção de Berna, apêndices II e IV da directiva Habitats da União Europeia
Explorada: Não
Perigosa: Não

Descrição geral da espécie

Felídeo de médio porte que se diferencia do lince eurasiático pela sua pelagem amarelo-acastanhado com pintas negras de tamanho variável. A espécie é na generalidade caracterizada por possuir uma face curta e plana rodeada por uma característica “barba” em redor da face e orelhas triangulares com tufos de pêlo de cor negra. Possui longos membros e cauda curta (11-13cm) de ponta preta. Quando adultos, os machos pesam entre 11 e 15Kg (média 12.8) enquanto as fêmeas de menor porte oscilam entre 8 e 10kg (média 9.3kg). O comprimento cabeça-corpo pode variar entre 80 a 110cm. Altura do garrote varia entre 60 a 70cm.

Biologia
O lince ibérico é um animal solitário que evita habitats artificiais como plantações florestais e agrícolas extensivas e selecciona positivamente mosaicos de florestas mediterrânicas de bosque e matagal intercalados com pastagens naturais e artificiais, habitat também favorável a ocorrência da sua presa principal, o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus). A espécie é um predador especialista que selecciona e depende do coelho-bravo uma vez que este recurso pode representar entre 80 a 100% da biomassa consumida na sua dieta. Micromamíferos (ex. rato do campo Apodemus sylvaticus), ungulados selvagens (ex. veado Cervus elaphus) e aves (ex. patos e perdiz-vermelha Alectoris rufa) podem ainda ser parte da dieta da espécie como recursos secundários. Um lince adulto tem um requisito diário de cerca de 600 a 1000kcal correspondendo em média a um coelho por dia. Uma fêmea com duas crias pode apresentar um requisito energético diário até cerca de 3 coelhos.
Sendo primariamente nocturna a espécie apresenta picos de actividade ao crepúsculo e percorre diariamente cerca de 7km, com os machos usualmente a realizarem movimentos mais amplos. A espécie é territorial e apenas tolera a presença de outros indivíduos no seu território durante o período de acasalamento, período no qual os machos podem sobrepor o seu território com o de uma ou mais fêmeas. Em situações de baixa densidade podem adoptar um comportamento mais perto da monogamia em vez do habitual sistema de acasalamento poligínico. Os territórios de fêmeas tendem a não se sobrepor. A espécie pode copular entre Janeiro e Julho com o pico dos nascimentos em Abril e Maio e uma média de 2 a 3 crias por ninhada. O período de gestação dura cerca de 2 meses e os juvenis dispersam entre os 8 e os 23 meses de idade. O território dos indivíduos dispersantes está em média distanciado 16km do território maternal contudo deslocações na ordem dos 42km, já foram registadas. As áreas vitais de um lince ibérico adulto podem variar entre os 4 e os 20km2 (dados provenientes da população de Doñana).

Distribuição
Originalmente a espécie esteve distribuída em Portugal, Espanha e sul de França. A espécie é actualmente endémica da península ibérica tendo distribuição restrita ao Sudoeste da península. A distribuição em Espanha é limitada a duas populações isoladas com reprodução confirmada: Sierra de Andújar-Cardena e Parque Nacional de Doñana. Podem ainda ocorrer indivíduos na zona Oriental de Montes de Toledo. O efectivo populacional em Espanha no final de 2010 era estimado que não ultrapassasse os 280 indivíduos. Em Portugal, não há indícios de linces residentes nas duas últimas décadas e a espécie é considerada num cenário de pré-extinção. Os últimos registos oficiais de um exemplar em território nacional são provenientes da positiva identificação molecular de dois excrementos na região da serra da Malcata em 1997 e um excremento encontrado em 2001 no sítio Moura/Barrancos. Admite-se que alguns indivíduos provenientes da população de Doñana possam atingir a zona sudeste de Portugal durante movimentos de dispersão.

Estatuto de conservação e ameaças
O Lince é um dos felídeos mais ameaçados do mundo. A espécie pertence ao anexo I da CITES e anexo II da Convenção de Berna e está listada no apêndice II e IV da directiva Habitats da União Europeia sendo considerada uma espécie prioritária. Desde 2002, está atribuído à espécie o estatuto de criticamente em perigo pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Esta classificação é igualmente atribuída a nível nacional em Portugal e Espanha baseada no reduzido número de indivíduos da população e no declínio acentuado sofrido pela espécie nos últimos anos. Entre 1960 e 1990 a população poderá ter sofrido uma redução da sua distribuição em cerca de 80%. Mais recentemente estima-se que devido aos esforços de conservação (ex. libertação e estabelecimento de indivíduos provenientes da população em cativeiro.) a espécie tenha aumentado 2 a 3 vezes o seu efectivo entre 2002 e 2010. A espécie é maioritariamente ameaçada pelo efeito conjunto do declínio das populações de coelho-bravo, redução e fragmentação de habitat e mortalidade não-natural. O declínio das populações de coelhos, nomeadamente devido aos surtos mixomatose (introduzida na Europa em 1950) e doença hemorrágica viral (DHV) presente na península ibérica desde de 1990 terá tido efeitos determinantes na redução da distribuição da espécie. Contudo, recentes estudos apontam que o declínio da população de coelho-bravo não explica por si só a redução marcada da distribuição deste felídeo, sugerindo que esta se terá iniciado antes do acentuado declínio da sua presa. Este fenómeno poderá ter tido origem em factores de perturbação humana, nomeadamente a perseguição directa ou controlo indiscriminado de predadores. A espécie tem ainda sido afectada por uma elevada mortalidade não-natural, designadamente atropelamentos, factor ao qual é bastante vulnerável durante movimentos dispersivos.
A redução e fragmentação de habitats originada pela construção de infra-estruturas (e.g. rede viária e barragens), implementação de monoculturas intensivas (e.g. plantações de pinheiro-bravo e eucalipto) e abandono da agricultura tradicional extensiva bem como incêndios florestais apresentam-se como factores igualmente significativos para a reduzida persistência e distribuição de indivíduos.
Devido ao reduzido efectivo populacional e isolamento das duas populações, estas têm revelado uma diversidade genética reduzida, nomeadamente a população de Doñana. Todos estes factores e o risco associado à ocorrência de factores aleatórios (e.g. catástrofes ambientais) colocam espécie sob uma elevada possibilidade de extinção (i.e. um vórtex de extinção).

Acções de conservação
Com o objectivo de reintrodução da espécie em Portugal têm sido desenvolvidas várias acções de conservação que se têm debruçado na identificação de áreas prioritárias para a reintrodução da espécie, recuperação de habitats e das populações de coelho-bravo, desenvolvimento de instrumentos legais (legislação) para protecção da espécie e desenvolvimento de um programa de conservação ex situ. Este programa tem sido implementado, na última década, e conta actualmente com cerca de 80 indivíduos nos centros de reprodução distribuídos por Espanha e Portugal (Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico em Silves). O projecto sofreu recentemente um revés com a morte de alguns indivíduos devido a doença renal crónica. Em Portugal a Serra da Malcata e a zona Contenda-Barrancos, correspondendo a populações históricas, têm sido apontadas como potenciais zonas de reintrodução da espécie.

Referências
Delibes, M., Rodríguez, A. & Ferreras, P., 2002. Action Plan for the Conservation of the Iberian Lynx in Europe (Lynx pardinus). Council of Europe, Strasbourg
Ferreras, P., Rodríguez, A., Palomares, F., Delibes, M., 2010. Iberian lynx: the uncertain future of a critically endangered cat. In: Macdonald, D.W., Loveridge, A.J. (Eds.), The Biology and Conservation of Wild Felids. Oxford University Press, in press
Gil-Sánchez JM & McCain EB (2011) Former range and decline of the Iberian lynx (Lynx pardinus) reconstructed using verified records. Journal of Mammalogy: October 2011, Vol. 92, No. 5, pp. 1081-1090.
Gil-Sánchez, J.M., Ballesteros-Duperón, E. & Bueno-Segura, J. 2006. Feeding ecology of the Iberian lynx Lynx pardinus in eastern Sierra Morena. Acta Theriologica. 51: 85-90.
Johnson, W. E., Godoy, J. A., Palomares, F., et al. (2004) Phylogenetic and phylogeographic analysis of Iberian lynx populations. Journal of Heredity, 95, 19–28.
Nowell K & Jackson P (eds) (1996) Status, survey and Conservation Action Plan.Wild cats. IUCN/SSC Cat Specialist Group, Gland, Switzerland
Palomares F (2001) Vegetation structure and prey abundance require- ments of the Iberian lynx: implications for the design of reserves and corridors. Journal of Applied Ecology 38:9–18.
Pires AE & Fernandes ML (2003) Last lynxes in Portugal? Molecular approaches in a pre-extinction scenario. Conservation Genetics, 4, 525–532.
Santos-Reis M (2003) De novo no rasto do lince-ibérico. Available at http://www.naturlink.pt. Accessed 27 March 2003
Sarmento P, Cruz J, Monterroso P, Tarroso P, Ferreira C, Negrões N & Eira C (2009) Status survey of the critically endangered Iberian lynx Lynx pardinus in Portugal. European Journal of Wildlife Research. 55: 247-253.
Von Arx, M. & Breitenmoser-Wursten, C. 2008. Lynx pardinus. In: IUCN 2011. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2011.1. <www.iucnredlist.org>. Downloaded on03 November 2011.


A ficha da espécie Lynx pardinus foi actualizada pela última vez em Abril 2011.
Distribuição
Comentários
2011-12-16 17:35:04, André Silva
Obrigado pela informação adicional. Quando for feita a actualização da ficha, este dado será adicionado.
2011-11-27 20:29:53, Santos Sequeira
Quanto à distribuição do lince, é referido no texto que os últimos registos oficiais são de 1997 e 2001, fica no entanto a curiosidade de ter passado pelo menos um Lince por Portugal em 2009 na zona de Moura/Barrancos, talvez de vez em quando passe mais algum, e quem sabe fiquem alguns por cá :)
Fonte da notícia Life Lince fica o link para os curiosos
http://www.lifelince.org/visorNoticias.aspx?6964%3d3237


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