Em locais áridos ou ensolarados, frequentemente com vegetação baixa ou sem vegetação, embora possa surgir em áreas com arbustos mais densos. No solo, debaixo de pedras e nos arbustos. Os machos adultos podem ser encontrados em todos os locais quando se deslocam em busca de fêmeas.
Carapaça: Negra brilhante. Nas fêmeas adultas mais larga com uma clara depressão na zona foveal.
Quelíceras: Negras, sem dentes.
Abdómen: Fundo negro com manchas muito variáveis. Na forma típica, apresenta três linhas de manchas laranja vivas. Em Portugal, são frequentes os indivíduos completamente negros (forma lugbris) e também com as manchas bordeadas de branco. Geralmente os juvenis e os machos apresentam contrastes mais marcados apresentando manchas que variam de laranja a vermelho vivo bordeadas de branco, por vezes apenas as auréolas brancas. Nas fêmeas adultas, as manchas podem ser laranja pálido a laranja vivo, bordeadas ou não de branco ou amarelo, por vezes de tonalidades douradas. Na face ventral pode apresentar uma mancha vermelha por vezes reduzida ou mesmo ausente. Nas fêmeas, o abdómen apresenta pêlos bífidos.
Patas: Negras como a carapaça
Biologia: Fêmeas adultas todo o ano mas activas de Maio a Novembro. Machos adultos principalmente no Verão com um período de actividade de Maio a Setembro. As fêmeas podem fazer até 8 posturas num ano com um número de ovos muito variável entre os 80 e 250 ovos em cada postura. Esta é envolta numa ooteca esférica com cerca de 15mm de diâmetro, de seda branca ou amarelada. As posturas são realizadas normalmente entre Junho e Outubro e o perído de incubação é muito variável entre 15 dias a vários meses dependendo das condições de temperatura e da época do ano. As pequenas aranhas atingem a maturidade ao fim de 4 a 12 meses.
As teias têm a estrutura normal da família com um esconderijo, uma teia de captura e um emaranhado de fios de suporte e alarme que podem também servir como fios de captura. O esconderijo é simples e geralmente situa-se perto do solo ou mesmo debaixo de pedras frequentemente disfarçado com restos de presas e outros detritos. A teia de captura pode estar a uns 20 cm de altura desde o solo e dela saem inúmeros fios de suporte, entre os quais alguns directos ao solo com pequenas gotas de seda líquida muito pegajosa que servem para captura de animais que se deslocam no solo.
Alimenta-se principalmente de insectos predando com frequência formigas e coleópteros mas pode predar qualquer pequeno animal que passe pela teia como escorpiões, aranhas, isópodes, centopeias, etc. A captura é feita com uma seda muito pegajosa e muito forte que cola nas presas com as patas traseiras. Quando a presa começa a ficar enleada, a aranha, eleva-a esticando fios de seda e frquentemente isola-a do resto da teia cortando os fios em redor. Por esta altura tenta procurar uma extremidade como uma pata ou uma antena, se possível, e aplica uma picada com um veneno forte e paralisante. Segue-se um reforço de seda e aguarda que a presa fique atordoada. Só nessa altura se aproxima com mais confiança. esta seda pegajosa é igualmente usada como mecanismo de defesa. Se se sentir perturbada, a aranha lança pequenos jactos de seda que rapidamente se colam e se enleiam no potencial inimigo.
Esta é uma espécie algo tolerante, não sendo particularmente agressiva, no entanto está dotada de um veneno potente quer para as suas presas, quer para os seus potenciais inimigos. Em caso de picada, o efeito pode ser muito variável e a própria aranha pode injectar quantidades variáveis de veneno. Os efeitos nos insectos são de paralesia, nos seres humanos pode provocar dor intensa, feridas no local da picada, contracção dos músculos, particularmente abdominais (provocando uma situação complicada de rigidez abdominal que, além da dor, dificulta a respiração), faciais (provocando uma expressão característica chamada de facies latrodectismica) e penianos (provocando o priapismo), aceleração cardíaca, hipertensão, oliguria, suores, cãbrias e paralesias parciais temporárias.
Distribuição e ocorrência: Não sendo propriamente uma espécie muito comum, distribui-se por todo o território de Norte a Sul e do interior ao litoral. é uma espécie de hábitos refundidos pelo que é pouco vista. Não se conhece nenhum registo em zonas fortemente humanizadas ou urbanas, outro factor que contribui para a sua discreta presença em Portugal, embora seja frequentemente confundida com outras espécies da mesma família.
Identificação: Quando apresenta padrões abdominais, esta espécie é inconfundível com qualquer outra espécie presente em Portugal. Na forma totalmente negra, pode facilmente ser confundida com a forma negra de Steatoda paykulliana, mas, além de ser claramente maior (no caso de adultos), possui patas mais compridas. Por vezes é também confundida com indivíduos mais escuros de Steatoda grossa ou Steatoda nobilis, mas ao contrário destas últimas, a viúva negra, além de ser nitidamente negra, nunca se encontra em ambientes urbanos.