Ainda não existem caracteres morfológicos associados à taxonomia de Canis lupus signatus.
Informação adicional e observações sobre a espécie Canis lupus signatus
Descrição geral: Facilmente identificável uma vez que possui um aspecto semelhante a um cão de grandes dimensões. Em Portugal ocorre uma subespécie endémica da Península Ibérica, o lobo-ibérico (Canis lupus signatus), cujos indivíduos adultos possuem, em média, um comprimento de 140cm, uma altura ao garrote de 70-80cm e um peso de 35-55kg, sendo as fêmeas geralmente mais pequenas. O lobo-ibérico caracteriza-se por possuir uma pelagem de coloração dominante cinzenta e castanha, com manchas faciais brancas bem evidentes e as canelas das patas anteriores com uma característica mancha negra. Possui uma pelagem densa durante o Inverno mas bastante rala no Verão, o que lhe confere um aspecto mais magro e escanzelado.
Distribuição e Habitat: No início do século XX o lobo-ibérico ocorria por quase todo Portugal, iniciando-se nessa altura por causas humanas, uma regressão da sua distribuição, do litoral para o interior e de Sul para Norte. Ainda durante a década de 1960, o lobo existia praticamente em todo o território português (nomeadamente no Algarve, Alentejo e vale do Tejo, muito próximo de Lisboa), o que demonstra a alarmante regressão que esta espécie sofreu ao longo do século XX. No entanto, esta regressão populacional parece ter-se atenuado nos últimos anos. De acordo com o último censo nacional de lobo, efectuado em 2002/2003, a população lupina em Portugal distribui-se por cerca 20.000Km2, sendo estimada em 65 alcateias, o que corresponde aproximadamente a 300 lobos. Actualmente, o lobo subsiste somente nas serras mais agrestes do Norte e Centro de Portugal (caracterizadas por uma baixa densidade populacional humana e por uma importante actividade agro-pecuária), tendo os seus principais e mais estáveis núcleos de ocorrência nas montanhas que constituem o Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Parque Natural de Montesinho e o Parque Natural do Alvão. Estes três núcleos lupinos, devido à sua estabilidade, são uma fonte regular de animais dispersantes, tendo por isso uma influência determinante na manutenção das alcateias que ocorrem nas regiões envolventes, caracterizadas por uma maior instabilidade. A distribuição do lobo em Portugal não é contínua, uma vez que existem duas populações separadas: uma a Norte do Rio Douro, que é estável e está conectada com a restante população lupina espanhola (estimada em cerca de 2500 indivíduos); e outra pequena e isolada população a Sul do Rio Douro, com aproximadamente 30 lobos que se encontram em eminente perigo de extinção.
Biologia: O lobo é um animal social, que vive em grupos familiares - as alcateias - constituídas normalmente por um casal reprodutor e seus descendentes directos (crias desse ano ou de anos anteriores). As alcateias são constituídas por cerca de 3 a 12 animais que ocupam um território definido (cuja dimensão, em Portugal, varia entre 150 e 300 km2), variando o efectivo da alcateia e a dimensão do seu território ao longo do ano e encontrando-se dependente da disponibilidade de alimento e do nível de perseguição que o Homem lhe move. Os lobos reproduzem-se unicamente uma vez por ano, nascendo as crias (em média 5 cachorros por ninhada) em Abril/Maio, após cerca de dois meses de gestação (61 a 64 dias). A maturidade sexual em ambos os sexos é normalmente atingida a partir dos 22 meses de idade, embora os jovens possam adiar a maturação sexual enquanto permaneçam nas suas alcateias natais, como resultado da competição reprodutiva. As crias normalmente mantêm-se com os seus progenitores por 10 a 54 meses, dispersando da alcateia natal maioritariamente, com 1 a 2 anos de idade e durante o Outono/início do Inverno e Primavera.
Os lobos comunicam entre si através de um conjunto de sinais visuais, olfactivos e auditivos, como sejam marcações de excrementos e urina, esgravatados efectuados com a patas e vocalizações, como por exemplo, o uivo.
Trata-se de um animal carnívoro, alimentando-se preferencialmente de ungulados e grandes roedores. Apesar de ter hábitos necrófagos, o lobo é essencialmente um predador que caça cooperativamente através de longas e persistentes perseguições, embora com uma reduzida (10-50%) taxa de sucesso predatório. Por essa razão este carnívoro tem a capacidade de ingerir numa só refeição cerca de 10kg de carne, e de poder não se alimentar durante várias semanas. Mesmo com uma reduzida área de distribuição do lobo a nível nacional, este apresenta uma grande variedade de características ecológicas, reflexo das condições do habitat onde ocorre e da capacidade de adaptação deste carnívoro. Desta forma, nas serras do noroeste de Portugal (área de influência do Parque Nacional da Peneda-Gerês) o lobo baseia a sua alimentação nos elevados efectivos de equinos e bovinos pastoreados em regime de liberdade, o que faz com que esta região se verifiquem os maiores prejuízos económicos causados pela predação do lobo na pecuária, a nível nacional. Pelo contrário, no nordeste de Portugal (zona Este do Parque Natural de Montesinho), a grande disponibilidade em número e densidades de presas silvestres (javali, corço e veado) faz com que o lobo baseie a sua alimentação nestes ungulados, não consumindo praticamente animais domésticos. Na região central de Trás-os-Montes, verifica-se uma situação intermédia, onde o lobo se alimenta basicamente dos únicos ungulados comuns nesta região: o javali e os pequenos ruminantes (caprinos e ovinos). Na região a Sul do rio Douro o lobo também segue uma conduta ecológica semelhante, embora recorra de forma frequente às lixeiras e vazadouros, apresentando assim um acentuado comportamento necrófago.
Estatuto de conservação: Segundo a UICN, o lobo apresenta a nível Mundial, desde 1996, o estatuto de “Baixo Risco”, com indicação de dependente de conservação para a Península Ibérica, que constitui um dos seus últimos redutos na Europa Ocidental. Em Portugal, o lobo está totalmente protegido desde 1988 (Lei 90/88 de 13 de Agosto, posteriormente regulamentada pelo Decreto-Lei 139/90 de 27 de Abril), sendo proibido o seu abate ou captura e a destruição ou deterioração do seu habitat. Há mais de uma década que o lobo é classificado como “Em Perigo de Extinção” no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e encontra-se ainda incluído no Anexo II da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção) e no Anexo II da Convenção de Berna (Convenção Relativa à Conservação da Vida Selvagem e dos Habitats Naturais da Europa). A nível da Comunidade Europeia, o lobo é considerado uma espécie prioritária para a conservação segundo a Directiva Habitats.
A ficha da espécie Canis lupus signatus foi actualizada pela última vez em Abril 2011.
Distribuição
Comentários
2011-10-09 23:19:17, Ricardo Silva
Sim, de facto é uma distribuição experimental ainda mas a questão que coloca é uma excelente questão que se aplica também a outros casos não só de animais e, neste em concreto, a distribuição será de ambos, cão e lobo mas o mapa terá duas distribuições claramente distintas que serão perceptíveis. Veremos se conseguimos ter tudo pronto até final da semana.
2011-10-08 10:20:12, Santos Sequeira
O Lobo por ser um dos predadores de topo da nossa fauna desperta sempre um grande fascínio, por isso é maturar que de vez em quando procuremos aqui alguma novidade.
O Mapa de distribuição é uma novidade, é claro que ainda é experimental certo?
De qualquer forma a questão que levanto, independentemente da fiabilidade do mapa que vejo hoje e que porventura será actualizado mais tarde, é:
A distribuição é do Lobo ou do Canis lupos que inclui o cão, (voltamos a velha questão do Lobo e o Cão pertencerem à mesma espécie)
e agora só animais no estado selvagem ou todos (aqui ficávamos com uma distribuição do canis lupos por todo Portugal) mesmo em estado selvagem existem matilhas de cães "assilvestrados" um pouco por todo lado.
Talvez em alguns casos tenha mais interesse o mapa de distribuição de uma subespécie que seria neste caso do Canis lupus signatus.