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O preço do desconhecimento

Caiem as primeiras chuvas de Outono e eis que eles surgem… os cogumelos.
De formas e cores variadas brotam debaixo da terra em número considerável alindando os nossos prados e florestas. E a caçada inicia-se! De Norte a Sul de Portugal muitos são os apreciadores de cogumelos que se deslocam para colher míscaros, tortulhos, boletos, laranjinhas e outros pitéus oferecidos pela Mãe Natureza. Afirmam-se conhecedores da matéria, fruto de vários anos de experiência e muitas petiscadas bem sucedidas, mas nem tudo são alegrias e festividades. O drama instala-se e o pânico progride quando surgem as primeiras notícias de entrada nas urgências hospitalares: “Os cogumelos matam famílias inteiras em Portugal”; “Mais um caso de envenenamento por cogumelos”; “Toda a vida apanhou cogumelos e ontem escapou por pouco à morte certa”. Todos os anos, por altura do S. Martinho, à alegria inicial se sucede a tragédia, num ciclo vicioso que é urgente travar! Que se passa afinal? Os apetitosos cogumelos resolvem vingar-se e enganar quem os procura? Devemos renunciar a colher cogumelos silvestres porque eles não são “de fiar”? Não serão medidas preconceituosas, ditatoriais nem alarmistas, imbuídas de profundo desconhecimento sobre a temática em questão, que solucionarão o problema! Assumir essa posição mais será um “lavar de mãos” ou um maternal “eu bem te avisei”, que uma atitude informada e consciente. Porque os cogumelos continuarão a ser colhidos e comidos… queremos todos que não morra mais ninguém por isso!

Então que fazer? Só há uma solução: FORMAR E INFORMAR!!!!!!!

É urgente que o conhecimento sobre “o que são os cogumelos” e em que circunstâncias podem ser consumidos seja amplamente divulgado e apreendido. Apenas o conhecimento pode despertar a consciência e levar uma mudança de atitude! Pese embora o esforço de diversas entidades públicas e privadas que se dedicam há divulgação do nosso património micológico (no qual os cogumelos se integram), muito mais será necessário para reverter a situação actual.

Então, vamos saber um pouco mais sobre o que são cogumelos, onde vivem e algumas das suas aplicações mais comuns:

O QUE SÃO?
Os cogumelos são estruturas produzidas por alguns fungos, durante uma fase do seu ciclo de vida, e que representam a única parte visível destes seres vivos. Tal como os frutos produzidos pelas plantas, os cogumelos servem para proteger e ajudar a dispersar os esporos, que são estruturas microscópicas com uma função semelhante às sementes; os esporos irão germinar, crescer e originar novos fungos.




ONDE SE ENCONTRAM?
Os cogumelos aparecem em diversos ecossistemas, quando existe água disponível no solo e uma temperatura agradável, e por isso, em Portugal, surgem geralmente no Outono e na Primavera, após grandes chuvadas. A presença de cogumelos num determinado ecossistema, significa que as espécies de fungos que os produzem encontraram, nesse local, as condições ideais para se alimentarem e reproduzirem.
Por não produzirem o seu alimento, tal como os animais, os fungos para subsistirem e proliferarem terão de se associar a espécies vegetais (árvores, arbustos ou herbáceas) estabelecendo relações de simbiose, ou em alternativa, decomporem matéria orgânica (detritos de origem vegetal ou animal) ou parasitarem um organismo vivo.


USOS DIVERSOS
Os cogumelos, ao longo da História, têm sido utilizados pelo Homem, com diferentes fins, de acordo com as suas propriedades, como na alimentação, na medicina, na tinturaria ou em cerimónias religiosas.
No entanto, é na alimentação que os cogumelos são mais utilizados, apreciados e valorizados em todo o mundo. Para além do sabor, aroma e textura agradáveis, os cogumelos possuem propriedades nutricionais, tónicas e medicinais (considerados como “Pão dos Deuses” pelos Romanos e “Elixir da Vida” pelos Chineses). Os cogumelos são ricos em proteínas (19-35%, incluindo todos os aminoácidos essenciais) e apresentam um baixo teor de gorduras, um elevado conteúdo de hidratos de carbono e fibras, e teores significativos em vitaminas e minerais.
Os cogumelos que mais consumimos são espécies cultivadas do género Agaricus, entre outros cogumelos sapróbios produzidos industrialmente e alguns cogumelos silvestres, que fazem parte da nossa gastronomia tradicional.
Em Portugal, as espécies mais apreciadas são a silarca (Amanita ponderosa), o míscaro (Tricholoma equestre), a pucarinha (Macrolepiota procera), a laranjinha (Amanita caesarea), o boleto (Boletus spp.) e a túbera (Terfezia spp.).


COMESTIBILIDADE
A actividade de recolha de cogumelos silvestres envolve muitos riscos e perigos para quem tem pouca experiência, pois existem muitas espécies semelhantes às comestíveis, que se revelam muito tóxicas ou mortais. Contudo, a grande maioria das espécies de cogumelos não apresenta toxicidade para o Homem, nem o seu paladar justifica o seu consumo.
A única forma de distinguir os cogumelos comestíveis dos tóxicos é através de uma identificação cuidadosa, que requer muito treino e experiência. Não existem regras gerais para fazer essa distinção e, por isso, as crenças populares, de que os cogumelos tóxicos escurecem objectos de prata ou dentes de alho e que os cogumelos comidos pelos animais são seguros para consumo humano, são falsas. A proximidade é outra falácia, comestíveis e venenosos, progridem par a par, tornando-se imperioso um conhecimento sólido para distinguir uma apetitosa refeição dum desfecho angustiante. Outra informação importante para os colectores de cogumelos é o facto  dos fungos terem a capacidade de acumular metais pesados e outros produtos tóxicos, pelo que não se devem consumir cogumelos colhidos nas proximidades de zonas industriais (poluentes), bermas de estradas e terrenos sujeitos a  agricultura intensiva.
Por outro lado, os cogumelos vendidos em grandes superfícies comerciais são completamente seguros para consumo.

Então porque ocorrem acidentes mortais todos os anos, se estas e outras informações estão disponíveis ? Essencialmente, porque quem colhe cogumelos há muito, IGNORA sistematicamente estes conselhos. As crenças antigas imperam e superam as informações credíveis. Os apanhadores frequentes (não confundir com experientes) reconhecem uma série de características, relacionadas com os cogumelos que usualmente consomem, que lhes permitem seleccionar os exemplares a recolher. Mas desconhecem as características das espécies tóxicas que são semelhantes às colhidas para consumo. A triagem final é efectuada com base em técnicas falíveis (objectos de ouro e prata, alho e cebola, etc.) e que nada têm a ver com uma identificação segura.
Então porque não morrem mais pessoas? Porque, actualmente a grande maioria das espécies de cogumelos não apresenta perigo para o Homem e muito poucas são fatais, é uma questão de probabilidade.


INFORMAR
Recomendamos a obtenção de informações seguras sobre cogumelos no Naturdata através dos nossos artigos, fichas de espécies e email ou no site financiado pelo Programa Ciência Viva: “Vem conhecer os Cogumelos – Uma riqueza do Alentejo”. Nestes espaços informativos, é possível aprofundar o conhecimento sobre a ecologia dos fungos produtores de cogumelos, conhecer melhor algumas espécies mais emblemáticas do Alentejo e saber um pouco mais sobre os diversos usos dos cogumelos.

FORMAR
A Delegação Regional do Alentejo da Ordem dos Biólogos, em colaboração com o Naturdata irá realizar periodicamente cursos de formação na área da Micologia, ministrados por formadores credenciados, acessíveis para todos os que desejam aprender mais sobre cogumelos. O Naturdata está aberto a propostas para realizar formações caso seja solicitado para tal.

Celeste Santos e Silva
Presidente DRAOB
Departamento de Biologia da Universidade de Évora
Colaboradora Naturdata

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